Thursday, January 18, 2007

Sunday, January 14, 2007

campanha "Su livre!"


Campanha “Su livre!”

Copenhaga - Dinamarca – mês de Dezembro - “De onde nos vem tanta raiva?”

Várias pessoas manifestaram-se durante o mês de Dezembro contra o desalojamento de um centro social em Copenhaga, Dinamarca. A manifestação não acabou bem e muitas pessoas foram presas. A Susana, um amigo dela, um rapaz finlandês e um dinamarquês são os únicos que ainda se encontram presos neste momento.

A Susana já está há mais de 25 dias na prisão, passou lá o Natal e o Ano Novo e não sabe quando vai sair. Por mais que questionemos o porquê dela lá estar, na nossa opinião, o que interessa é que uma prisão é sempre uma prisão, e que ela não devia estar lá mas sim perto da família e dos amigos.

Quem é a Susana?

A Susana é, antes de mais, uma amiga. Está a estudar em Coimbra, na Escola Superior de Educação, no último ano. É uma activista social e ambiental. Pertence ao GAIA (Grupo de Acção e Intervenção Ambiental), a um grupo de teatro de rua e a outros colectivos .É vegetariana, defensora dos direitos dos imigrantes, dos direitos humanos, da paz! Activa na luta contra a praxe, na defesa da despenalização do aborto, no movimento estudantil.

E quem somos nós?

Alguns amig@s da Susana, e outros amig@s de tod@s os presos!

Que centro social é esse?

Chama-se Ungdomshuset (Centro da Juventude) e como se pode ler na sua página na Internet, hoje eram um centro político e cultural, uma alternativa a uma sociedade opressora, usada por activistas para organizarem inúmeros eventos. (mais aqui: http://ungdomshuset.info/spip.php?article45)

O edifício foi cedido pela câmara em 1982 a várias associações e colectivos. Em 1999 foi vendido pela câmara a uma seita fundamentalista cristã, e inicia-se um processo no tribunal. Um processo moroso e bastante dúbio, onde os activistas acusam a câmara de vender algo que foi cedido, e a “seita” que reclama a casa e uma compensação por não poderem ter usufruído dela. Em 2006, o tribunal decide que os activistas têm de evacuar a casa até dia 14 de Dezembro. (mais sobre o processo em http://ungdomshuset.info/spip.php?article47)

O que aconteceu? Porque se manifestavam?

Na passada sexta-feira, dia 15, mais de 5000 pessoas manifestaram-se contra a decisão do tribunal e recusavam-se a entregar o Centro da Juventude.

No dia 16, uma marcha com cerca de 1000 participantes. Começaram a sair da casa e a dirigirem-se para o centro da cidade mas não conseguiram andar mais de 300 metros pois a policia impedia-lhes a passagem. E aí o cenário passou a ser de guerra: pedras pelo ar, garrafas, montras partidas, barricadas, fogo, fumo, escuro, gás lacrimogéneo... Violência da parte dos polícias e da parte de alguns manifestantes. As imagens comprovam-no: http://indymedia.dk/article/754. Alguns activistas ficaram feridos assim como polícias. Muitas montras partidas e as ruas quase destruídas.

Cerca de 213 pessoas foram presas, entre as quais 87 estrangeiros de 10 nacionalidades diferentes. Os dinamarqueses (à excepção de um, o Allin) foram postos em liberdade passado 24h e aguardam julgamento. Até ao final do ano, 20 estrangeiros foram deportados e proibidos de entrar na Dinamarca e os restantes foram libertos e reencaminhados para a fronteira. À excepção da Susana, do amigo dela - o Mariano (argentino/italiano) - e do Tomi (finlandês).

O que se passou exactamente com a Susana?

A Susana foi visitar um amigo à Dinamarca, no dia 14 de Dezembro, com intenções de voltar para Portugal antes do Natal. Como activista social que é, a Susana participou na marcha em defesa de Ungdomshuset, no dia 16. E foi uma daquelas pessoas indiscriminadamente presas. Está a ser acusada de agressão à autoridade.

A lei dinamarquesa diz que depois de 24 horas (72 para estrangeiros) o detido tem de ser julgado ou posto em liberdade. A Susana foi “julgada” e colocada em prisão preventiva até julgamento oficial. No máximo, a lei indica que pode ir até 4 semanas esse tempo de espera. Sendo assim, este seria no dia 11 de Janeiro.

E então, qual o resultado?

Ao que parece, a Susana teve e está a ter azar, pois o seu julgamento foi adiado 15 dias, para o dia 25 de Janeiro (um dia antes do seu aniversário). O julgamento do Mariano será no mesmo dia. E o dos outros 2 presos no dia 24.

É que afinal, o que a lei diz é que os detidos têm de ser colocados em frente a um juiz. Foi o que aconteceu, mas esse não tem poder decisivo, digamos, não foi um julgamento na verdade, pois ainda não reuniram todas as provas necessárias!!!

A Susana encontra-se de novo em prisão preventiva, numa prisão isolada em Copenhaga. Praticamente ainda não recebeu visitas (apenas da embaixada portuguesa) e da advogada. É uma advogada dinamarquesa, “especialista” em casos como este, voluntária, amiga do Centro. Não sabemos qual vai ser a pena atribuída à Susana, e os rumores são muitos: que não há hipótese de cumprir pena cá, que vai ter de pagar multa, que pode ficar lá cerca de 3 meses...

O que podes fazer para ajudar?

a) escrever à Susana e aos outros presos.
Têm várias hipóteses (carta ou e-mail), mas tenham em atenção ao que escrevem porque a polícia vai ler. Escrever é mesmo muito importante, mas não comentem sobre o caso, pois sem quererem, podem prejudicar a Susana. Mesmo que alguns de vocês não a conheçam bem , escrevam na mesma. Imaginem o que é estar numa prisão sem nada que fazer... Receber cartas deve ser uma alegria! Falem do vosso dia-a-dia, dos vossos activismos, das vossas paixões, das vossas viagens, transcrevam um poema, sei lá, mas escrevam!!

Para a Susana podem escrever em português, castelhano ou inglês. Para o Mariano podem escrever em castelhano ou inglês. Para o Tomi em finlandês ou inglês. E para o Allin em dinamarquês.

Enviem as cartas para a ABC (associação que está a dar apoio no local) e coloquem algures na parte de trás do envelope “a letter for Susana” - ou o nome de outro preso):
box 604,
2200 Copenhagen

Danmark 

ou podem escrever e-mail também para a ABC (retsgruppe69@yahoo.dk) com assunto “a letter for Susana” (ou o nome de outro dos presos), que os voluntários da associação imprimem e fazem chegar todos os dias à prisão.

b) podes também enviar cd's originais, livros, dinheiro dinamarquês (croas) e roupa. Envia para a mesma morada acima.

c) contribuir monetariamente. Envia a tua contribuição para conta 003520730000338193093 em nome de “Su Livre”. Se possível, envia e-mail para sulivre@riseup.net com comprovativo de transferência.

d) escrever à embaixada dinamarquesa em Portugal a exigir a libertação da Susana e dos outros presos:
Embaixada Dinamarquesa em Portugal
Rua Castilho 14-C 3º 1200-069 Lisboa
21 3512960 21 3570124 (fax)

e) contactar advogados para sabermos o que se pode fazer a partir de Portugal. Se encontrares algum que esteja interessado em ajudar, dá-lhe o nosso contacto: sulivre@riseup.net.

f) receber e divulgar informação.
Envia e-mail para sulivre@riseup.net com pedido de inscrição em mailling-list (para receberes notícias), ou com sugestões ou dúvidas.


Obrigada por leres até aqui, os amig@s de Susana.

13 de Janeiro, 2007.

Thursday, January 11, 2007

Jantar de apoio* à Susana

A Susana é uma grande amiga minha, moramos juntas, somos da mesma turma..
Ah, ela também é activista do GAIA!

Jantar de apoio* à Susana
11 de Janeiro – quinta-feira - 21h
República Prá-Kys-Tão

Várias pessoas manifestaram-se durante o mês de Dezembro contra o desalojamento de
um centro social em Copenhaga, Dinamarca, edíficio cedido pela câmara em 1982 a
várias associações e colectivos. A Susana, que visitava um amigo, participou numa
dessas manifestações. Cerca de 213 pessoas foram presas, entre as quais 87
estrangeiros de 10 nacionalidades diferentes. A Susana, o amigo argentino, e um
dinamarquês são os únicos que ainda se encontram presos neste momento. A Susana
encontra-se agora em prisão preventiva durante 25 dias, até dia 11 de Janeiro, dia
do novo julgamento. Está a ser acusada de agressão à autoridade e não sabemos qual
vai ser a pena e provavelmente terá de pagar multa.

A Su já está há 24 dias na prisão, passou lá o Natal e o Ano Novo e corre o risco do
julgamento ser adiado. Por mais que questionemos o porquê dela lá estar, na nossa
opinião, o que interessa é que uma prisão é sempre uma prisão, e que ela não devia
estar lá mas sim perto da família e dos amigos.

Aparece para saberes mais, para dares o teu apoio e saberes como podes ajudar!

Se não puderes vir ao jantar, podes enviar a tua contribuição para conta
003520730000338193093 em nome de “Campanha Su Livre”. Se possível, enviar e-mail
para sulivre@riseup.net com comprovativo de transferência.

Dúvidas? Escreve para sulivre@riseup.net ou telefona para 239825368, 937267541
(Diana) ou 914321854 (Joana).

* O preço do jantar será aquele que cada um quiser e o lucro reverterá para a
Susana (pagar multas, etc...). A Prá-Kys-Tão fica na Rua das Esteirinhas nº 2 – 1º
andar (perto da Sé Velha) em Coimbra.

Tuesday, January 09, 2007

Copenhaga - Dinamarca – mês de Dezembro

Várias pessoas manifestaram-se durante o mês de Dezembro contra o desalojo de uma casa cedida pela câmara em 1982 a várias associações e colectivos. Chamava-se Centro da Juventude e hoje era usada por activistas para organizarem inúmeros eventos, constituindo-se assim num centro político e cultural, uma alternativa a uma sociedade opressora. (mais aqui: http://ungdomshuset.info/spip.php?article45)
Em 1999 a câmara decide pôr o edifício à venda. Uma espécie de seita religiosa compra-o, e inicia-se um processo judicial entre os activistas que acusam a câmara de vender algo que tinham cedido, e a “igreja”, que reclama o edifício e uma compensação por não estarem a usufruir deste.
No tribunal, o processo foi moroso e bastante dúvio, segundo os activistas. No entanto, a decisão foi que a casa tinha de ser evacuada pelos activistas até dia 16 de Dezembro.
(mais sobre o processo judicial podem ler em http://ungdomshuset.info/spip.php?article47)

15 de Dezembro, sexta-feira, mais de 5000 pessoas manifestaram-se nas ruas de Copenhaga contra esta decisão.
No dia seguinte, os activistas recusavam-se a entregar o Centro da Juventude e convocaram uma marcha. Começaram a sair da casa e a dirigirem-se para o centro da cidade. Juntaram-se cerca de 1000 pessoas, mas não conseguiram andar mais de 300 metros pois a policia impedia-lhes a passagem. E foi aí que o cenário passou a ser de guerra: pedras pelo ar, garrafas, montras partidas, barricadas, fogo, fumo, escuro, gás lacrimogénio... Violência da parte dos polícias e da parte dos manifestantes. As imagens comprovam-no: http://indymedia.dk/article/754
Cerca de 213 pessoas foram presas, entre as quais 87 estrangeiros de 10 nacionalidades diferentes.

A Susana estava de passagem em Copenhaga, a visistar um amigo, e resolvem apoiar a causa, participando na manifestação. Não sabemos exactamente como foi lá parar mas o grave é que se encontra agora em prisão preventiva durante 25 dias, ou seja, até dia 11 de Janeiro, dia do novo julgamento. Está a ser acusada de agressão à autoridade e dizem que a pena pode ir até 3 meses. Já tem advogado a tratar do assunto, “especialista” em casos de activismo e recomendada pela casa.
Das tais 213 pessoas que foram presas, a Susana, o Mariano (italiano, amigo da Susana) e um dinamarquês são os únicos na prisão de momento. Os outros dinamarqueses aguardam em liberdade novo julgamento, 20 estrangeiros foram deportados e proibidos de entrar na Dinamarca e os restantes levados para a fronteira e postos em liberdade.

A Su já está há 23 dias na prisão, passou lá o Natal e o Ano Novo e corre o risco do julgamento ser adiado. Por mais que questionemos o porquê dela lá estar, na nossa opinião, o que interessa é que uma prisão é sempre uma prisão, e que ela não devia estar lá mas sim perto da família e dos amigos.
Temos estado em contacto com a embaixada portuguesa na Dinamarca, com uma associação (ABC) que está a apoiar os presos, e com a família da Su (com a irmã).

Parece que o que podemos fazer de momento que mais ajudará a Susana, é escrever-lhe. Têm várias hipóteses, mas tenham em atenção ao que escrevem, ou seja, não comentem nada sobre o caso mesmo que tenham dúvidas ou dados que pensam importantes (pois sem querer podem prejudicar a Susana). Escrevam mesmo que não conheçam bem a Susana! Imaginem o que é estar numa prisão sem nada que fazer... Receber cartas deve ser uma alegria! Falem do vosso dia-a-dia, dos vossos activismos, das vossas paixões, das vossas viagens, transcrevam um poema, sei lá, mas escrevam!!

Podem escrever directamente para a prisão:
Susana, 26/01/81 11990446
Vestre Fangsel, Vigerslev Alle 1D, 2450
Kobenhaven SV
Denmark

ou para uma associação de apoio a presos (ponham algures “a letter for Susana Quintão”):
ABC
c/o Ungdomshuset
Jagtvej 69
2200 København N
Denmark

ou através de e-mail para a mesma associação retsgruppe69@yahoo.dk, colocando em assunto o mesmo que em cima, que eles imprimem e entregam à Susana (esta é a forma mais rápida).

Saturday, January 06, 2007

Parabéns!


O poeta o pintor e o músico *- José Cid

Conheci um poeta escritor e solitário
um livre pensador vaguarda e visionário
falava em proteger florestas, oceanos
os rios e o ar que já não respiramos
escrevia com alma, com coerência e energia
o tempo ia passando, ninguém o compreendia

E livre de discursos, promessas, teorias
podiam-lhe chamar para melhor o definir
livre pensador convicto ecologista,
um grande idealista

Ele era um poeta, um pintor, um pianista
seu nome não vem na lista
ele era um poeta, um pintor, um pianista

Conheci um pintor que pintava aguarelas
criava obras-primas e morria com elas
conheci um pianista, um músico anarquista
que compunha canções que eram sua conquista
e tocava com alma, sentimento e alegria
o tempo ia passando ninguém o compreendia
e livre de discursos, promessas, teorias
podia-se dizer para o melhor definir
dava sons à vida, coloria a vida, alegrava a vida

ele era um poeta, um pintor, um pianista
um músico anarquista
ele era um pintor um poeta um pianista
seu nome não vem na lista
ele era um pintor um poeta um pianista

Sunday, December 31, 2006

vamos dançar?

nada como entrar no ano novo a dançar.......

vêm?

um 2007 cheio de paz, amor e activismo para tod@s!!!

Saturday, December 30, 2006

PARABÉNS Bruno


Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.

Fernando Pessoa


Friday, December 29, 2006

Urgentemente

foto da Mateja, no encontro de espaços colectivos organizado pelo GAIA, Nov 06


É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.
É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.

Eugénio de Andrade


Sunday, December 24, 2006

porque é Natal...

e como há que reduzir, reutilizar e reciclar,
aqui vai uma estória reutilizada, que escrevi no Natal de 04, até porque alguns de vocês não a receberam/leram! Espero que gostem!

Este ano dedico-a a tod@s que estão pres@s e não podem passar o Natal com as suas famílias.
É que as prisões, caramba, nunca tive em nenhuma, mas não devem ser um lugar nada bonito. Não deve haver Natal nas prisões.

Bem.. BOM NATAL! (seja lá o que isso signifique para cada um@ de nós)
E um ÓPTIMO ANO 2007.

Abraços, Diana

Era uma vez um menino pequenino que andava à procura do Natal.

Ouvia falar dele em todo lado. Em casa, na escola, no autocarro, nos jornais, na televisão. As pessoas até já nem diziam “até logo!” diziam “bom Natal”. Mas o menino não conseguia perceber bem o que era essa coisa com esse nome tão engraçado terminado em al!

Perguntou aos crescidos, e eles respondiam-lhe que o Natal era paz, era amor, era alegria. Mas o menino quando passeava pelas ruas só via pessoas sem casa, sem comida, sem amigos.

Para esclarecer as coisas, resolveu ir ao dicionário. Ora cá está: Natal....

E o menino ficou ainda mais baralhado. Então quis saber quem era esse senhor de nome Jesus. Como criança despachada que era, foi à biblioteca municipal com o objectivo de requisitar todas as enciclopédias do mundo – porque este menino era um menino curioso, como todos os meninos e meninas da idade dele que ainda não lhes foram cortadas as asas e depois de uns quantos e tantos problemas de cariz burocrático, lá começou a pesquisa, chegando à conclusão que Jesus foi um homem de paz, que ajudou muita gente e que viveu à muitos anos atrás. Havia também uns senhores que inventaram uma religião por causa dele, mas para o menino isso já eram coisas dos crescidos que gostam de complicar e complexar o que é simples.

Resolveu então ligar a televisão em busca de mais resultados, e estava toda vermelha e verde, e os senhores que dizem as notícias com um gorro vermelho a mostrarem imagens dos políticos a discutir e a prometer, mas não se viam resultados... E o menino ficava mesmo chateado, pois lembrava-se da sua escola e da assembleia que todas as crianças têm em conjunto todas as semanas e onde, respeitavelmente, chegam a consenso. Que boa lição para os crescidos, pensava o menino!

Foi experimentar também ver os jornais, e eram só artigos que falavam de prendas para todos os meninos, e de comida para todos os pobres... Mas o menino ainda se lembrava bem das notícias do mês passado sobre a guerra no Iraque, e também na Palestina e ah! no bairro aqui ao lado. Ele via guerra, ódio e tristeza... e não conseguia compreender o porquê de todas as luzes nas casas e nas ruas, das músicas bonitas, das árvores de Natal gigantes... Ainda pensou que, se calhar, era uma espécie de festa, porque as pessoas precisam de festas (na cara e no dia-a-dia) para terem força para lutar. Mas no tal bairro aqui ao lado não havia tantas luzes, música e grandes jantares... Então o menino achou que o Natal era uma mentira.

Até podia ser uma mentira daquelas boas, sabem? Tipo conto de fadas que nos faz sonhar e ter força! Mas não, era uma mentira má!

Porque o menino nas suas explorações, viu que o Natal destruía o Planeta Terra. As pessoas só compram compram compram, e querem lá saber se os brinquedos que compram são feitos por crianças do outro lado do Mundo (que também ouvem falar do Natal, como o menino), e cortam pinheiros, e comem animais em vias de extinção (como o bacalhau)!!! É mesmo uma coisa má, o Natal.

Mas esse menino era daqueles teimosos, e não dava a sua pesquisa por terminada facilmente, ai não que não dava!

Começou então a prestar mais atenção à sua volta. E começou a descobrir o Natal. Viu pessoas bonitas, e coisas bonitas. Pessoas que partilham o pouco que têm. Pessoas que não compram, mas oferecem. E meninos que, como ele, não querem prendas, querem que os crescidos dêem um Mundo melhor a todas as crianças. Ou que pelo menos, não cortem as asas às crianças - dêem-lhe antes ferramentas para explorarem - para que estas possam construir também esse Mundo melhor. E será Natal todos os dias, e em todo o Planeta.


Diana Dias, 19 de Dezembro de 2004

Friday, December 22, 2006

Sem Amor Sem Abrigo

e este vai preso porque não tem amor....

onde chegamos nós!!!

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Homem pendura-se na ponte para defender os sem-abrigo
Um indivíduo pendurou-se, esta quinta-feira à tarde, na Ponte 25 de Abril para defender a causa dos sem-abrigo, causando congestionamentos de trânsito nos acessos Norte e Sul, onde as filas chegaram a atingir 14 quilómetros, disse fonte da GNR.

( 19:42 / 21 de Dezembro 06 )


O homem, que esteve desde as 13:00 pendurado por uma corda na Ponte 25 de Abril, exibia um cartaz em que se lia "Sem amor, sem abrigo".

«O homem que detivemos hoje, por volta das 18:00, já é reincidente neste tipo de situação [é a terceira vez que faz isto]», disse à Lusa fonte da Brigada de Trânsito da GNR.

«É uma pessoa que tem condições de vida, mas vive na rua por opção e faz isto para chamar a atenção para a causa dos sem-abrigo, da qual é um mártir», explicou à Lusa o Capitão Gomes do destacamento de trânsito de Lisboa da GNR.

Esta situação provocou o congestionamento da Ponte 25 de Abril e chegou a causar filas de trânsito com cerca de 14 quilómetros nos acessos Sul e Norte ao tabuleiro da ponte.

O Capitão explicou à Lusa que a situação demorou algum tempo a ser resolvida porque estava em causa a vida de uma pessoa e não só o "caos" no trânsito.

«Uma equipa de resgate foi ao local dar apoio nas cordas, pois havia o perigo de o homem cair ao rio», explicou.

Só ao fim de várias horas é que os polícias conseguiram convencer o sem-abrigo voluntário a desistir do protesto.

O homem foi entretanto detido e será presente sexta-feira pelas 09:30 ao tribunal de Almada.

http://tsf.sapo.pt/online/vida/interior.asp?id_artigo=TSF176357

Monday, December 18, 2006

e antes da prisão?




por mais que não concorde com os meios.... e que me choque ver tanta violência por parte também de quem se manifesta..
irrita-me profundamente saber que muitas pessoas apenas com boas intenções foram presas..
não é uma questão de desculpar actos de violência, mas é pensar que se não existissem injustiças sociais essa violência não tinha necessidade de acontecer..
e pensar que se conhecessemos pessoalmente cada uma dessas pessoas que foi presa, que cada caso é um caso, e que compreenderiamos talvez o porque dessa violência (se é que houve violência), e embora ideologicamente até não concordassemos com essa violência, não queriamos que ela estivesse presa por causa disso, principalmente, porque estava a defender uma causa. mas mais principalmente ainda, porque se trata de um ser humano. e as prisões não são feitas para seres-humanos, não são feitas para seres-vivos, aliás.

copenhaga - dinamarca - dia 16 de Dezembro
1000 pessoas manifestavam-se contra o desalojo de uma casa okupada chamada centro da juventude (http://ungdomshuset.info/) com mais de 10 anos.
o cenário passou a ser de guerra: pedras pelo ar, garrafas, montras partidas, barricadas, fogo, fumo, escuro, gás lacrimogeneo...
cerca de 100 pessoas foram presas.
os dinamarqueses foram libertados e aguardam julgamento.
40 estrangeiros (de 10 nacionalidades diferentes) aguardam julgamento, mas na prisão, onde vão ter de passar o natal e ano novo para serem julgados passado 25 dias, dia 12.

expliquem-me porque é que deixam as coisas chegarem até aqui: http://www.youtube.com/watch?v=j1SR0pGwm6E&feature=PlayList&p=784E340CF72D96E2&index=0
cuidado! estes videos fazem chorar!

Monday, December 11, 2006

activismo: como, quando e por quê?

há dias que deixamos por momentos de acreditar naquilo que acreditamos há já muito tempo e que é quase como que a nossa razão mais forte para viver...

a sério, tou farta disto do activismo. apetece-me mudar de país.
sei que isso é fugir, e nao é essa a atitude que acho mais correcta. por isso fico.

mas tou farta de teorias e da nao aplicação dessa teoria na práctica.
estou fartas de coisas a acontecerem só porque devem acontecer e sem serem planeadas.
tou farta do "querer fazer" que todos proclamam mas quando chega o fazer-fazer ninguem o faz.
de distribuição de tarefas que todos concordam mas depois não acontece.
de Tempo que ninguém tem, mas sabemos bem que o temos quando o queremos.

tou farta de actividades estupidas que tenho que arranjar motivação para organizar na escola..
farta de teatros..
de conflitos que não existem.. de preconceitos, ou melhor dizendo, do chamado efeito de halo.
da injustiça que isso traz. da perde de liberdade que isso parece provocar.

no final, tou farta exactamente por saber que muitas destas coisas também as faço eu muitas vezes... ainda por cima com a plena consciência que estou a fazê-las mal ou que poderia estar a fazer de outra forma.

mas claro, quando parece que somos só nós a achar que está errado ou que poderiamos fazer melhor... não se vai longe.
porque sim, ainda acredito que muitos, juntos, podemos fazer melhor que sozinhos.

mas pronto
o que vale, é que são só momentos.

Tuesday, December 05, 2006

morar numa república de estudantes


ainda não sei bem o que é...

o facto de morar em comunidade não é nada de novo para mim,
não partem daí as minhas curiosidades...

mas sim, em saber se de facto um ano corresponde a cem, como corresponde, e porque é que corresponde...

se há activismo ou não há activismo, se é só da boca para fora, se é solidário ou não é, se é aberto ou fechado, se há união ou não há.


para já, 2 meses passaram, e amig@s pelo menos há por cá!

Sunday, December 03, 2006

no Fórum Social Português



"O homem é um animal político", disse Aristóteles.

Assim, tanto nos partidos políticos como nos movimentos sociais, o Homem está a fazer política.

Esta é, a meu ver, a grande semelhança entre os dois.


No entanto, há uma diferença fulcral: é que os partidos visam a ascensão ao poder, enquanto que os movimentos sociais não. Num há uma luta pelo poder. No outro tod@s devem ter poder.


Além do mais, nos movimentos sociais fazem parte pessoas de diversas ideologias políticas (comunistas, socialistas, anarquistas, indefinidos...). São movimentos apartidários, que conseguem congregar assim mais pessoas que trabalham em torno de um tema específico.


Por isso, é que na minha opinião, não podem trabalhar juntos, partidos e movimentos. Isto porque podem trabalhar juntas as pessoas. Ou seja, num movimento tu estás lá pela causa em si, e mesmo sendo de um partido, quando estás no movimento estás enquanto pessoa individual que concorda com aquela causa e que se quer juntar a um grupo de pessoas com a mesma causa. E já está, o partido não entra aqui em lado nenhum. E quando entra só vem estorvar, mesmo quando tem boas intenções.

Tuesday, October 17, 2006

O Porto está a acordar!!

















Desde ontem que actores e público ocupam o Rivoli, no Porto, protestando contra a entrega a privados do teatro municipal da cidade. É preciso voluntários para acompanharem do lado de fora do Rivoli a vigília .

RIVÓLIÇÃO
Cerca de 200 manifestantes solidarizam-se com os 40 barricados que se encontram dentro do Rivoli, teatro municipal da cidade do Porto.
Recorde-se que cerca de 40 pessoas estão há mais de 20 horas no interior do Teatro Rivoli, no Porto. Recusam-se a abandonar o edifício em protesto contra a decisão da Câmara Municipal de concessionar a gestão do teatro a empresas privadas.
Ao longo da tarde, cerca de 200 pessoas juntaram-se ao protesto, concentrando-se em frente do edifício.
Quarenta pessoas, entre actores, encenadores e público da Companhia Teatro Plástico decidiram ficar na sala do Rivoli após o fim da apresentação da peça "Curto Circuito", por volta da meia-noite de domingo.
Cerca de 200 pessoas concentraram-se a partir das 18h00 de hoje frente ao Rivoli, no Porto, em solidariedade com os actores e espectadores da Companhia de Teatro Plástico que há cerca de 20 horas ocupam o edifício.
O presidente da Plateia - Associação de Artes Cénicas, Alda Silva, o actor António Capelo e os políticos Jorge Machado (PCP) e José de Castro (BE) foram algumas das pessoas que compareceram na manifestação, convocada pelo movimento "Pelo Porto - Juntos no Rivoli".
A decisão de privatizar a gestão do Rivoli foi tomada no dia 25 de Julho passado pela maioria PSD/CDS-PP na Câmara Municipal do Porto. "A receita do Rivoli cobre seis por cento da despesa", justificou o presidente da autarquia, Rui Rio, afirmando que a câmara canaliza 7.500 euros por dia para o teatro. Cinco empresas concorreram à gestão do Rivoli e até ao final de Outubro será conhecido o nome daquela que vai gerir o teatro.
A manifestação iniciou-se depois da exibição da peça «Curto-Circuito», da companhia Teatro Plástico, no pequeno auditório, entre espectadores e artistas, num protesto convocado pela companhia.A autora da Peça, Regina Guimarães, que também se juntou ao protesto, explicou à Lusa que o objectivo, além de protestar contra a intenção da Câmara liderada por Rui Rio (PSD), é também evitar que o cenário se repita em outras zonas de Portugal.«Se não fizermos isto, outras autarquias acabarão por fazer o mesmo com equipamentos similares», disse.
Entre os espectadores circulava hoje um documento com críticas ao presidente da Câmara, por defender «uma ideia de um teatro regido por critérios de rentabilidade», atitude que os autores do manifesto consideram «assaz curiosa para quem esbanja dinheiros públicos em corridas de automóveis».O texto refere-se à reedição, no ano passado, do Grande Prémio do Porto, no Circuito da Boavista, um evento que não se realizava desde os anos 60.O documento pede garantias de que «o teatro não seja gerido e programado em função da maior ou menor rentabilidade», de que «os núcleos de produção da cidade do Porto, em todos os domínios da criação, tenham acesso e lugar no seu teatro municipal» e de que «a direcção do teatro pugnará pela formação contínua do público».

Retirado de: http://pimentanegra.blogspot.com/

Monday, October 02, 2006

picnic



Pic nic vegetariano

1 de Outubro de 2006
Palácio de Cristal






Para assinalar o Dia Mundial do Vegetarianismo o GAIA (Grupo de Acção e
Intervenção Ambiental) realizou no Palácio de Cristal o último picnic deste
ano.

A chuva fez com que os participantes mais pontuais se deslocassem das mesas de picnic do jardim para as arcadas do pavihão Rosa Mota (em cima da cafeteria).
Ainda assim, o mau tempo não impediu a participação de cerca de 40 pessoas que foram passando pelo local durante o dia, participaram nas oficinas, recolheram informação e provaram as iguarias.

Actividades inseridas no picnic:
-Feira de Trocas, onde de um modo informal se trocaram objectos que não tendo
mais valor para uma pessoa foram bastante apreciados por outra;
-Oficina de Sushi Vegetariano, que foi possivelmente a maior atracção do
evento, tendo ocorrido duas vezes;
-Oficina de Contacto/Improvisação, ao anoitecer, acompanhada de um momento de música (flauta transversal e guitarra) e poesia pelo grupo "os Faunos".

Em seguida, os mais resistentes ao dia chuvoso e preenchido, dirigiram-se para o JUP (Jornal Universitário do Porto) para o visionamento do documentário sobre direitos dos animais "Earthlings".

Saturday, September 30, 2006

Nem a chuva nos impede!



Mais uma Massa Crítica: sexta-feira - dia 29 de Setembro - última sexta do mês.





Cerca de duas dezenas de crianças, jovens e adultos, pedalaram ontem pelas ruas do Porto, exigindo respeito por um meio de transporte mais ecológico, saudável, económico, prático e que ocupa menos espaço nas ruas. Cada ciclista com as suas razões para o ser, ainda que alguns só uma vez por mês: uns celebravam o facto de andarem de bicicleta, outros experimentavam fazê-lo no trânsito caótico de uma grande cidade na hora de ponta, outros clamavam por "menos fumo".

O percurso iniciou-se às 18h30 na Praça dos Leões. É sempre esse o ponto de encontro desta iniciativa auto-organizada que tem lugar em todo o mundo uma vez por mês nas grandes cidades. Em Portugal, apenas em Porto e em Lisboa e há cerca de 3 anos.

O grupo, num colorido de diferentes gerações, passou por lugares como Praça da República, Casa da Música, Rua de Cedofeita, para terminar de novo, na Praça dos Leões, desta vez já de noite. Pelo caminho, erguiam faixas e bandeiras e distribuíam panfletos, onde se lia, por exemplo: "O maior inimigo do motorista é o congestionamento, tanto no tráfego quanto no estacionamento. Cada ciclista na rua representa um carro a menos no congestionamento. Fica o convite para vir passear connosco e descobrir uma perspectiva muito mais saudável e agradável de se mover à hora de ponta.”. Fica então, o convite feito a todos os leitores.

Mais informações: http://www.massacriticapt.net/

Sunday, September 24, 2006

eu só queria....


(dançar contigo...)

queria não ter estado constipada para sentir melhor aquele ar puro, fresco, enérgico, revitalizante, selvagem, natural, tranquilo, forte.....

havemos de lá voltar!!!

Sanabria

há um monte chamado Sanabria
com serras, rios e lagoas

carreiros de terra
carreiros de pedra

rochas planas
rochas que são paredes

abrigos de pedras
tachos na lareira

cascatas e água que corre

uma flauta mágica
uma guitarra simpática

amigos conversam

cantam

e brincam!


e saudades ficam

por aqui

e por ali!

Dianas


primeiro medo
depois confiança

e fazem-se amigos assim,
de repente.